A Prefeitura de Cachoeira do Sul foi notificada pelo Ministério da Saúde e terá de devolver ainda este mês aos cofres públicos o valor de R$ 490 mil, referente a duas obras não executadas no município há 14 anos. A mais antiga delas, autorizada pelo governo federal e com primeiro repasse recebido em 2012, tratava-se da Academia da Saúde, cujo projeto começou a ser construído no Bairro Noêmia e não teve andamento. No total, duas parcelas foram repassadas à Prefeitura Municipal, a segunda em 2014, totalizando investimento de R$ 144 mil não aplicados integralmente pela gestão.
Em notificação formal encaminhada em agosto, o ministério incluiu a atualização monetária pela taxa SELIC e determinou o recolhimento de R$ 322.102,38 somente no que se refere a este projeto. A outra obra, que previa a construção de uma unidade básica de saúde no Bairro Tibiriçá, recebeu o repasse de R$ 81.600,00 em 2014, não chegou a sair do papel, e implicará agora na devolução ao governo federal de R$ 164.756,83, incluída a aplicação dos juros. O posto de saúde estava previsto na Rua Gregório da Fonseca e recebeu a portaria de cancelamento da obra em 2021.
OS RECURSOS PARA DEVOLUÇÃO
* Academia de Saúde
Endereço: Rua São João - Bairro Noêmia
1º Repasse em 2012 – R$ 36.000,00
Total a ser devolvido em 2026 – R$ 84.652,99
2º Repasse em 2014 – R$ 108.000,00
Total a ser devolvido em 2026 – R$ 237.449,39
* ESF Tibiriçá (obra antiga)
Endereço: Rua Gregório da Fonseca
Repasse em 2015 – R$ 81.600,00
Total a ser devolvido em 2026 – R$ 164.756,83
A Prefeitura de Cachoeira do Sul encaminha à Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (09/09) o projeto de lei que propõe a abertura de crédito no valor de R$ 490 mil junto ao orçamento do município para cumprir a devolução de recursos referentes às duas obras não executadas. “Comprometer valor desta monta do caixa livre impõe um sacrifício real ao governo municipal, compromete outras prioridades planejadas à coletividade e exigirá escolhas ainda mais rigorosas quanto à aplicação do dinheiro público”, argumenta o prefeito Leandro Balardin em ofício à presidência do Legislativo. Diante das dificuldades financeiras e de problemas herdados de outras administrações, o chefe do Executivo apresentou relato detalhado do histórico dos temas, solicitando aos parlamentares a aprovação do projeto de lei para regularização das pendências federais, evitando medidas de cobrança do governo federal, como a possível inscrição do Município no CADIN (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal). “O prejuízo pode ser maior caso Cachoeira do Sul seja impedida de celebrar novos contratos, tenha incentivos suspensos ou novos convênios bloqueados”, resumiu Balardin.