O Governo Municipal de Cachoeira do Sul, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, realizou 2.379 castrações entre 2025 e outubro de 2026. Foram 1.299 procedimentos no ano passado e 1.080 nos primeiros dez meses deste ano. Agora, a Secretaria está elaborando um plano para zerar a fila municipal, que atualmente reúne 771 fichas habilitadas aguardando atendimento.
O planejamento contempla as solicitações cadastradas diretamente no Município. Esse levantamento não corresponde às filas ou demandas próprias de organizações não governamentais e entidades de proteção animal.
Para ampliar os procedimentos, o Município está na fase final dos ajustes cadastrais exigidos pelo Estado para utilizar R$ 100 mil do Fundo Estadual de Bem-Estar Animal. O recurso já foi recebido, mas ainda não começou a ser aplicado. A expectativa da Secretaria é concluir o cadastramento nos próximos dias. Também está em andamento o credenciamento de mais clínicas veterinárias para ampliar a capacidade de atendimento.
Serviços essenciais precisaram ser implantados
A ampliação das castrações ocorre junto à necessidade de estruturar o atendimento aos animais acolhidos pelo Município. Segundo o levantamento da Secretaria, os abrigos não contavam anteriormente com responsável técnico, controle preciso do número de animais e de suas condições de saúde, nem com atendimento veterinário de média e alta complexidade e os exames necessários.
Diante dessas carências, o Governo Municipal priorizou medidas urgentes de assistência e organização. Foram contratados uma médica veterinária como responsável técnica e serviços de higienização, manejo, auxílio veterinário, vigilância noturna e supervisão, com nove profissionais. Também foram implantados prontuários, identificação por microchip e controle das castrações dos animais abrigados.
Os atendimentos veterinários de média e alta complexidade são destinados aos animais acolhidos pelo CEMPRA, com previsão de até R$ 5 mil mensais. A estrutura busca assegurar cuidados que antes não estavam disponíveis aos animais sob responsabilidade municipal.
A alimentação também foi qualificada, com substituição da ração de 18% de proteína por outra com 23%, melhorando seu valor nutricional.
Proteção animal exige manutenção diária
Além das castrações, o Município mantém despesas permanentes com alimentação, medicamentos, limpeza e assistência aos animais. Os valores informados pela Secretaria incluem aproximadamente R$ 25 mil mensais com ração, R$ 2 mil com medicamentos, R$ 4,5 mil com a responsável técnica e R$ 65 mil com a equipe terceirizada de nove profissionais.
São custos necessários para manter os abrigos e garantir condições adequadas de cuidado. A implantação dos serviços e a correção das deficiências encontradas precisaram ser priorizadas, mesmo diante das dificuldades financeiras e do quadro reduzido de pessoal.
Na estrutura física, foram investidos R$ 31.202,68 na rede hidrossanitária do abrigo das Três Vendas, que não possuía estrutura adequada para o tratamento dos efluentes gerados. O local também recebeu um módulo com 20 baias, doado por voluntários. No abrigo junto à DVS, foram realizadas adequações nos canis e no ambulatório. Novos módulos de canis estão em fase de elaboração de projetos e orçamento.
Organização, adoções e atendimento às emergências
A Secretaria também organizou e digitalizou os pedidos de castração, com chamamentos conforme as datas das solicitações e as situações de emergência. Os requerimentos passaram a ser feitos por protocolo, substituindo as fichas em papel e facilitando o acompanhamento.
O levantamento registra ainda 232 adoções, a emissão de 48 laudos veterinários para fiscalização e o cadastro dos animais dos abrigos no sistema federal Sinpatinhas. Durante as enchentes, foram resgatados e abrigados 51 animais em 2025 e 70 em 2026, com assistência veterinária, vacinação e castração.
Entre as demais iniciativas estão a reativação do Conselho Municipal de Proteção Animal, a preparação de propostas para o Código Municipal Animal e a elaboração de projetos educativos e de cuidado comunitário.
Equilíbrio das contas para ampliar os serviços
Zerar a fila municipal de castrações é o objetivo do plano em elaboração. O recurso estadual e o credenciamento de novas clínicas devem contribuir para ampliar os atendimentos, mas a continuidade do trabalho depende também de recursos próprios e de capacidade operacional.
Por isso, o Governo Municipal ressalta que as reformas e os ajustes nas contas públicas têm relação direta com a possibilidade de investir mais na causa animal. Organizar as despesas e recuperar a capacidade financeira do Município são medidas necessárias para ampliar as castrações sem comprometer a alimentação, o atendimento veterinário e a manutenção dos animais já acolhidos.
A prioridade é avançar com planejamento e responsabilidade, enfrentando tanto a demanda por castrações quanto as necessidades diárias de proteção e cuidado.