O Parque Zoobotânico de Cachoeira do Sul, sob a administração da Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, desempenha um papel fundamental na preservação e conservação das espécies nativas da fauna brasileira. Por meio de ações de resgate, reabilitação e soltura, o zoológico atua para devolver à natureza animais silvestres que chegam debilitados, feridos ou vítimas de ações humanas.
Conforme explica o médico veterinário e responsável técnico do Zoo, Diego Cardoso, todo animal que dá entrada no Zoo passa, inicialmente, por uma triagem. Aqueles que precisam de cuidados especializados são avaliados e tratados pelo médico-veterinário e pela equipe de tratadores. Durante o período de reabilitação, esses animais não ficam em exposição ao público, sendo encaminhados aos setores extra e de quarentena até a recuperação total. Após esse processo, quando aptos, são soltos novamente em seu habitat natural. Já os que não podem retornar à natureza são destinados a outras instituições de fauna ou passam a integrar o plantel do zoológico.
A maioria dos animais chega ao zoológico por meio de ações do Batalhão Ambiental da Brigada Militar (PATRAM), da Divisão de Fauna da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA-RS) e do CETAS/IBAMA de Porto Alegre. Também há entregas voluntárias da população, além de resgates feitos pela própria equipe do zoo em áreas urbanas e rurais.
Entre os casos mais comuns estão animais vítimas de atropelamentos, ataques de cães e gatos, maus-tratos, caça e captura ilegal. São frequentes fraturas, ferimentos por mordidas, cortes por ferramentas, além de casos de animais atingidos por arma de fogo.
Dados de 2025: aves são maioria
Em 2025, o Zoológico Municipal recebeu 164 animais para reabilitação. Desses, 108 eram aves, o que representa 66% do total - reflexo, principalmente, da cultura ainda existente de manter aves silvestres em gaiolas. No mesmo ano, foram realizadas 86 solturas, sendo 56 de aves.
As espécies mais comuns entregues para reabilitação e soltura são o Azulão (Cyanoloxia brissoni), o Cardeal (Paroaria coronata), o Trinca-ferro (Saltator similis), a Caturrita (Myiopsitta monachus) e o Pintassilgo (Spinus magellanicus). Aves de rapina, como gaviões e corujas, aparecem com menor frequência.
Como funciona a reabilitação
Após o tratamento clínico, o animal passa por uma avaliação comportamental. É observado se ele busca o próprio alimento, demonstra comportamento típico da espécie e mantém instinto de fuga em relação ao ser humano. No caso das aves, também são realizados treinamentos de voo, seja para filhotes em desenvolvimento, seja para animais que ficaram muito tempo em cativeiro e precisam recuperar a musculatura.
“Para voltar à natureza, o animal precisa alimentar-se sozinho, não apresentar lesões que impeçam locomoção ou caça, manter comportamento natural de fuga e estar livre de doenças, especialmente as infectocontagiosas”, explica Diego.
Os locais escolhidos para soltura são fragmentos de vegetação nativa com médio a alto grau de conservação, afastados da área urbana e, geralmente, próximos a cursos d’água naturais. Também é considerada a ocorrência natural da espécie na região.
Importância para o meio ambiente
O trabalho do Zoológico de Cachoeira do Sul é essencial para a conservação das espécies e para o equilíbrio ecológico. A reabilitação e a reintrodução ajudam a manter populações saudáveis na natureza. Já os animais que não podem ser soltos contribuem para programas de reprodução em cativeiro e para ações de educação ambiental, conscientizando a população sobre os riscos da caça, do tráfico de animais e dos atropelamentos.
Como a comunidade pode ajudar
Ao encontrar um animal silvestre ferido, a orientação é entrar em contato imediatamente com o Zoológico de Cachoeira do Sul, Corpo de Bombeiros ou Polícia Ambiental. Caso seja necessário manejar o animal, isso deve ser feito com luvas e equipamentos de contenção, como caixas ou gaiolas, sempre com cuidado, pois animais feridos podem atacar.