Em recente relatório anual das atividades, a equipe do Centro de Atendimento em Saúde (CAS TEAcolhe) manifestou preocupação com o índice de faltas verificado nas agendas das diferentes especialidades disponíveis para diagnóstico, acolhimento e inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias. Operando junto à sede da APAE, o centro foi inaugurado em abril do ano passado e conta atualmente com 180 pacientes cadastrados e oferta aproximadamente 1.100 agendamentos fixos por mês, além de disponibilizar horários extras de atendimento a demandas espontâneas diariamente.
Entretanto, conforme avaliação da coordenadora da unidade, Tárcia Cheiram, uma média de 24,19% destes atendimentos resultaram em faltas sem justificativas dos pacientes nos horários destinados aos atendimentos. No último quadrimestre (a pesquisa reuniu os dados de outubro, novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026), o levantamento da unidade verificou 4.067 agendamentos no período, dos quais 984 foram desperdiçados pelos pacientes. “As famílias alegam motivos diversos, como as condições de saúde do paciente ou familiar, dificuldades financeiras, logística para transporte, clima e tempo, o que nos indica, em alguns casos, desorganização do paciente TEA e a falta de priorização e comprometimento familiar”, analisa a profissional.
Em um cenário de capacidade de atendimento do CAS aquém da demanda verificada até o momento (aguardam na fila por atendimento 338 pessoas), a coordenação está buscando estratégias e providências para superar a recorrência de faltas que impossibilitam o atingimento das metas preconizadas pela política estadual, impedem o acesso de quem ainda não conseguiu vaga no serviço e, principalmente, interrompem e até podem comprometer o tratamento dispensado aos pacientes. “Nossos esforços já incluem o trabalho de conscientização de mães e responsáveis sobre a conduta de frequência ao serviço e a importância de comprometimento com a agenda, uma vez que o profissional estará na data e local combinados e sem aproveitamento daquela carga horária, que poderia estar sendo usufruída por outra pessoa”, esclarece Tárcia. Paralelamente, enfatiza a coordenadora do CAS, a unidade dispõe de um mapeamento dos pacientes que moram nas proximidades e/ou que possuem maior mobilidade para que possam ser acionados rapidamente a ocuparem os horários que ficariam ociosos.
A equipe multiprofissional é composta por 24 profissionais - entre fonoaudiólogas, psicopedagogas, psicólogas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, médicos, fisioterapeuta, educador físico, educadora especial, psicomotricista, profissional de musicalização, administrativo e coordenação - somando mais de 310 horas de atendimento, sendo 188 horas de terapias e 122 horas entre atendimento médico, suporte de serviço social, coordenação e administrativo semanalmente.
MONITORAMENTO DOS FALTOSOS
A secretária municipal da saúde, Camila Barreto, tomou ciência dos números encaminhados pelo CAS TEAcolhe e adiantou que pretende ampliar o monitoramento dos faltosos nos demais serviços da rede municipal e orientar as equipes para ações que venham sensibilizar os usuários do SUS para o senso de coletividade e uso racional dos recursos públicos. “O gesto de informar antecipadamente o serviço sobre sua indisponibilidade para o comparecimento permite que os servidores atualizem a agenda, propiciando que outros usuários na espera consigam acessar os atendimentos”, declarou.
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AGENDAMENTOS E FALTAS NO CAS TEAcolhe |
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MÊS |
AGENDAMENTOS |
FALTAS |
% |
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Outubro 2025 |
1.136 |
281 |
24,74% |
|
Novembro 2025 |
1.026 |
211 |
20,57% |
|
Dezembro 2025 |
968 |
248 |
25,62% |
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Janeiro 2026 |
937 |
244 |
26,04% |
|
TOTAL |
4.067 |
984 |
24,19% |
SERVIÇO
Centro de Atendimento em Saúde (CAS) – TEAcolhe
Sede da APAE: Rua Barão do Viamão, nº 900 – Bairro Ponche Verde
(51) 9 9633-3494 (ligações e whatsapp)
PRINCIPAIS ATUAÇÕES:
* Elaboração e revisão de planos terapêuticos;
* Reavaliações periódicas;
* Suporte familiar e articulação intersetorial;
* Encaminhamentos, pareceres técnicos e laudos médicos.
COMO BUSCAR ATENDIMENTO:
O acesso ao serviço ocorre exclusivamente via sistema Gercon (regulação pelo governo do Estado), com encaminhamento a partir das unidades básicas de saúde. Após o acolhimento, o usuário passa por avaliação multiprofissional e construção do Plano Terapêutico Singular (PTS). Na implantação na cidade, foram acolhidos pacientes transferidos da APAE e do CAS de Caçapava do Sul, além de novos usuários via Gercon. Após atingir a capacidade de 150 usuários, foram abertos 5 novos acessos por mês.